Luvas

por ajcmrl

Ah que estou suscetível e desejosa, mas agora não sou mais, veja, não sou mais vulnerável e significativa: agora sou especialista.
Senta aqui comigo e me deixa te contar toda a minha vasta crônica passional. Eu ainda penso em você, menos que o amor de ontem, mas você sabe, nós tivemos uma história.
Eu não mais a escrevo em um parágrafo contínuo, sem tirar as luvas para sequer respirar. Agora eu tiro os versos de uma festa – de líbito calmo e primórdio que não revelo – como quem se esquece dos pecados sublimes, das vontades pátrias, e passa o pano e as luvas pra um outrem desesperado.
Ouve mais dessa história; aconselhas-me como uma profissional do ramo. Estou concernida pelo calor. Seria mais uma mudança? Eu nem contesto. Não sou madame nem moça contemporânea.
Eu nem te entendo.
Nessa situação:
Eu mantenho as luvas; senão nas mãos, jogadas ao canto do quarto.

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