por ajcmrl

Sim, o solilóquio é pra impedir que sua boca cole na minha. A carne é fraca e qualquer detalhe pode fazer a gente dissimular. Mas o que a gente faz fica cravado. O corpo é frágil e teu nome fica tecido por onde você passa a língua. E vai ficar uma bem intrigante entre a ligação de dois desejos.
O corte da garganta grita pela dor do baque surdo da tua roupa desatenta ir se encaixando pela mesa. E sentir teu corpo de passeio em noites quentes de verão só é possível quando o vapor das bocas se consolida.
Mela e arde nua de desejo, numa alma rígida que transita lúcida pela matéria perene. Adia meus compromissos e arranca meu meio-sorriso escancarado com suspiros.
Eu vejo o desperdício de cheiros e charmes escorrendo pelas paredes e todas as pulseiras, brincos e colares se arrastam pra longe do tronco.
Meu dedo impaciente tende a passear precocemente pelo convite ao risco. E se recebe aos três talheres: dorso ardente, haste dura, toda material.
Morena malefício, pronta pra fascinação. A alma soa armada, e a sua me engolia.
Pro choque das veias, das coxas e do antro. Pro incêndio na cozinha e pro vidro que estilhaça qualquer sinal de fantasia.

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