Sobre rotina e roupa suja

por ajcmrl

Eu gosto mesmo quando você segura os meus cabelos e molda um meio-sorriso num toque que fala de mania. Aqueles errados que eu guardo junto com o silêncio do atrito que se embola entre uma perna e outra. E toda aquela posição independente da fome que meus lábios têm da sua cor. A sua presença é privilégio de semana, daqueles que se aconchegam em mais de cinco suspiros. Aprecia-se antes de mim, e apreciarei tantas mais. Que alegria, mal seria saber que o nosso bem-querer ficou restrito pra sempre só em um. Como queria tanto poder te avisar: pelo caminho da metamorfose, menina. Que pelo da falta tem lobo mau e solidão medonha.
E eu não sinto pela educação, ou pelo estilo, nem porque gosta de músicas brasileiras. Tudo referência que se esvai no mais oportuno silêncio. É pelo cheiro, mistério, pelo tormento e desassossego. Aquele tom de voz de clichê esperançoso, a fragilidade do modo como os olhos piscam, e o que os dedos revelam quando eu menos espero.
A substância é devaneio e eu credencio que os cinco dedos passeiam por todos os fios de cabelo. A gente já superou a calma e o eterno, e não tem sentido não dar o troco do desejo.
Ou me serve do querer, ou eu troco de semana.

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