por ajcmrl

na boutique com cheiro de doce desastre tem colecionadora de antiguidade. a luz embaçada como chuva que passou separa a vitrine e o balcão. fica lá desenhando que poderia ser bem mais do que é e que pra acreditar no amor precisa deixar de caçar miniatura em dias de verão. roteiro de cinema é equilibrista em corda bamba com sombrinha e saia rosa e ela gosta de enganar o tempo com folha senil de livro cinza. com direção de arte e contra o vento eu peço pra escrever nos vinis antigos alguma peça com ar de olympia, mas de paris antiga o cenário que compõe a vida é moulin rouge. os olhos brilham feito asfalto como a flor da história monocromática guardada em seus quadrinhos, daqueles que traz só pra distrair. eu assumia a fuga em papillon ou no beijo dela com o carinho que lhe fiz, mas é trabalho demais atrás da galeria e do rascunho de poesia que esvaía entre os bares de gente de sandro. quando chove no olho de quem já se cansou sei que chove por aqui. na galeria não tem crença em sentimento bom, mas tem colecionadora e mulher de coisa antiga. já já a gente escreve la délicatesse.

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