por ajcmrl

a gente precisa saber da hora de empurrar a cadeira quando o que queremos não tá sendo mais servido – e isso vale pro restaurante e pra qualquer canto da vida.
tem gente que vem na hora errada e faz cada barulho do relógio escancarar os ponteiros do peito. amassa os sessenta minutos da vida com garfo e colher, guardando a faca pra cutucar a sobremesa. aquela que pulsa e sangra sobre a sua mesa.
prato do dia é tempo e tempo é tudo o que se sente, e ele sente muito por não sentir mais nada pela gente. é uma droga de preguiça que vem depois do arroz branco e das entrelinhas que cê rima quando pede sabor de maracujá.
eu tô sabendo que não é importância e que não tem censura nesse negócio de reserva a duas.
tá tudo bom pra você, então tá tudo bom pra mim. eu só acho um pouco brilhante o tanto de arco-íris que veio nesse bolo e o gosto da natureza que tem que ser como é adocicando a amargura da boca.
eu tô limpando as nossas texturas com um guardanapo manchado. escondida no batom, eu deixo a jaqueta na mochila.
boa moça pendura na cadeira. aquela que eu empurro quando a barriga estufa e eu me sinto satisfeita de comer amor.
eu sei que o prato é vermelho, mas eu sou o rosa que cê chama de torpor.

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