madeleine é paulista

por ajcmrl

hoje são palavras de boteco, madeleine. que escorreram dos teus lábios donos dos meus, que tentam e se esforçam num bom dia embriagado. a gente só queria se deixar um beijo, mas não sabemos nem com quem deitamos.

você tá mexendo comigo em plena multidão e eu prometia fazer tudo no correto. o nosso papo era reto. mas escuta um pouco, madeleine, que eu tô respirando forte nesse teu ouvido. tá me escapando os gemidos esses dedos que eu achava que serviam pra cafuné.

tem gente aqui, madeleine. tem muita gente aqui. e eu me sinto infiltrada nelas como uma gota de água, mas meu transe é mais fatal quando os teus peitos tão colados nos meus.

eu não acho banal esse meu rosto encostado no teu ombro e esse barulho sincero que escapa da minha boca. a distância que degrada não é do teu talhe ao meu. o quilômetro é estarmos em avenida quando na verdade a cama seria aquela pedida.

madeleine me vê um cigarro que é ruim por demais, mas que encaixa no que me para o mundo. você sabe que nada me cabe nos dentes a não ser você, que eu não sinto o gosto e já confundo o que é prazer.

mas eu tô lembrando da gente sobre os olhares profundos e as desaprovações longas e eu sei que eu tô gozando na vida do jeito mais certo que tem.

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