O simples mérito de não serem meus

por ajcmrl

Você doou teus dedos pras minhas poesias
E naquele beco sem saída
Melhor que a rua sendo estreito
Acolhedor, de casa tua
Eu pedi que emaranhasse estas mãos
Que em par tem o mal que cabe
naquela divisa entre o indicador e polegar
No particular da boca que nem pode negar
E eu escrevi com estes meus lábios
Não com aqueles que já foram teus em cima
Não que não fossem capazes ou não conseguissem mais
sussurrar o que fosse tão pouco pra uma boca qualquer
Mas o meramente humano é escrever naqueles teus
Que se resguardam hábeis e úteis lá embaixo
Com a ponta das minhas orelhas ao alcance das coxas tuas.

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