Atemporal

por ajcmrl

Que, apesar de ser uma carta aberta, escancarada, é somente para você. Essa carta, meu bem, não tem data. Pode ser lida hoje, pode ser lida quando resolver escapar sem levar nada. É, menina, os demais repetem em estado de euforia: que tipo de ladra você é? Chega de tão longe, invade a minha sombra e foge nua. Não faz questão de olhar para a raiz que morre sob a calçada. Você aprende com o que digo? Pendure as roupas na janela porque já não cabemos mais em caixas. Você não fica – simplesmente porque segue firme na definição de ser inquieta.

Ora, você que se doa às pinturas, às esculturas e imaginação, venha cá. Acredita, de fato, que o protagonismo inquieto pende entre o jornalista ameaçado pela crítica local, alcançando até aquela atriz, infeliz, coitada, descendo de seu pedestal?

Artistas, poetas, escultor. Desculpe a minha dor. Você é a bailarina que agradece pelos recados, veste as sapatilhas e trilha pelos selos de cada cartão postal. É a própria coreografia contundente que afirma que o cimento tem um espaço que é seu.

Devora o tempo, engole a agonia e vomita os desamores. Quis muito escrever um atalho insone que pudesse te colocar na artéria certa. Mas não deu. É preciso luzes de neon e papéis à espera de uma fome danada de viver.

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