Iara

por ajcmrl

Abençoado é o ar que guarnece teus pulmões
Fortunado é o chão que veste teus pés
Boêmia é o mar que sente teu corpo em meu lugar
E às vezes desperto
Desperto e escuto
Há um concerto absurdo, nada recluso
Escoria a beira-mar com seu pranto
Ao enxergar pegadas em meio à areia
E me macerar é indeclinável
Em meio aos quatro ventos que esboçam os fios negros
Aí percebo me concentrando
Colocando-me na prateleira das conchas
Há posse de luz sobre mim
E o lote de segundos insanos que vão me abandonando
O líquido que escorre em meio às suas pernas exerce o mar
E eu tenho sede de contar o agora.

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