por ajcmrl

Ela tinha sabor de cigarro. E eu tinha muita curiosidade por ela. Fui sutil no início, tal como qualquer boa moça do interior. Mas, monsieur, boas moças não se doam às segundas.
Sim, éramos boas. Ela, essencialmente. Boa dos pés à cabeça, sem derramar um milímetro sequer, atrasando nas curvas para avaliar melhor. Moças, também. Sem dúvida, moças muito deslumbrantes e bem vestidas, por sinal. Mas boas moças, não, monsieur. Isso eu recuso assumir. Essas aí não praticam coisas de meninas más, não é mesmo? Éramos boas, éramos moças, mas éramos – no mesmo instante – meninas más. E foi por isso que eu puxei a mão da donzela rapariga ao banheiro e a rastejei como necessidade pesada no chão quente. Do lado de dentro, monsieur, minha sutileza seguiu seu caminho junto com a calcinha sumida em algum vapor no chão.
Cruas.
Éramos moças boas e nuas no chão do banheiro. Eram beijos extasiados e urgentes. Quando me contemplei, lá estava ela: nos meus peitos desabrigados e desimpedidos, as extremidades já tão firmes do frenesi que ela me doou. Meus arrepios instáveis, exaustos de mim e da minha contrariedade obcecada com o espelho. Era uma fenda. Fenda ardente e muito suave. Beijando e obstando infortúnios.
Depois de meia palavra provocadora, é verdade, não dá pra ponderar gemido, não. A moça boa pendeu a mão e brincou com o sustento do meu corpo. De tão boa que era a moça, minhas pernas desistiram da constância. E eu caí, gemendo, suando, no chão de fumaça.
A moça boa, de tão boa, acendeu pra mim um cigarro entre os lábios. E eu – em renitência – nunca traguei. Necessito mesmo é do que escorre entre as pernas dela.

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