poço

por ajcmrl

aos poucos meus olhos foram se acostumando com a luz do fundo. você, para eu que sofro, passa empacada no meu remoer de esperar, pausada na história pingada que me trouxe escorregão. precisa de muita coisa do mundo que a minha mágoa é debilitada a dar.
me cobra um universo de comprovações pra não deixar que tuas vontades catem qualquer peça do hemisfério que possa causar mais um hematoma. que você por estar nesse tempo pode exigir e me justificar.
eu não colocava sentimento, mas agora um dia emenda o outro e a gente não tem pausa nem pra pôr do sol. pra eu que sofro, o tema foco é incômodo; relação gradual.
quem tem que ter paciência não sou eu – se já não me abundasse, o relógio não cravaria no roxo da garganta. eu grito o quanto quiser, eu posso querer agora, querer com velocidade, é tudo emergência pra mim.
paciência é pra você que feriu. pra não cambalear num ai de objeção falando sobre o meu deslize em estar me doando demais. paciência num tempo parado, pra dizer retrocedida – se ainda lhe restar coragem – que não foi trânsito nem trampo nem emergência ou saída.
a agente tem que dar sua palavra se quiser ficar, se quiser misericórdia. tem que doar com gosto as tuas ataduras pra ensanguentada, porque das convicções da atingida ela já tirou metade.
o fundo para quem sofre e o fundo para quem causa são sempre distintos; não deixe que a segunda inverta os papéis;
um par de olhos já exigiu o mundo, agora num direito a protesto ele exige uma borda
– do que ela chamou de carinho.

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